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A fé não move palanques.

Para especialistas, firmar posição quanto a crenças

religiosas não é a melhor maneira de ganhar votos.

A corrida eleitoral deste ano abriu espaço para um

tema delicado.A religião tomou conta de entrevistas

e discursos dos três principais candidatos à Presidência

da República e virou assunto obrigatório na discussão

entre os eleitores. Afinal, vale a pena um candidato se

posicionar quanto às suas crenças religiosas?

Especialistas ouvidos pelo site de VEJA garantem que

essa não é a melhor maneira ganhar votos.

Segundo o cientista político Rodolfo Teixeira, quando se

trata de candidaturas proporcionais - para vereadores

e deputados, por exemplo  -, definir uma posição

religiosa pode até ser interessante. "Há um eleitorado

demarcado e a quantidade de votos necessária para

se eleger é bem menor do que para cargos majoritários".

Quando se trata de eleição presidencial, porém, o

especialista afirma que o cenário muda completamente.

"Nesse caso, são milhões de eleitores em jogo e não vale

a pena o candidato se envolver em uma discussão

tão espinhosa quanto essa".Marina Silva, candidata do

PV, é o caso mais emblemático. Participante de cultos

da Assembleia de Deus desde 1997, não conseguiu atrair

nem mesmo a metade dos votos que os evangélicos

poderiam proporcionar. Eles representam 25% do

eleitorado - uma massa de 33 milhões de pessoas.

Para Teixeira, Marina afastou muitos eleitores que

estavam dispostos a votar nela depois de suas

declarações sobre temas cercados de polêmica,

como aborto, casamento gay, educação e religião.

"Quem não gostou, desistiu". Por outro lado, o professor

Márcio Gimenes de Paula, do departamento de Filosofia

da Religião da UnB (Universidade de Brasília), acredita

que não é a religião que impede Marina de deslanchar

nas pesquisas."Temos uma eleição polarizada entre duas

candidaturas e a da petista Dilma Rousseff tem ainda o

apoio do presidente Lula, com altos índices de

popularidade. Não é a crença de Marina que determina

seu lugar nas pesquisas".Mudança de estratégia - Dilma

Rousseff, em um passado recente, costumava driblar

perguntas de jornalistas que diziam respeito às suas

crenças religiosas. Após subir nas pesquisas, porém, a

estratégia mudou. A campanha do PT chegou a divulgar

um texto, intitulado “Carta aberta ao povo de Deus”,

para, digamos, tentar neutralizar a opinião da candidata

frente à Igreja Católica e aos evangélicos. O bispo dom

Luiz Gonzaga Bergonzini, de Guarulhos (SP), defendeu

o boicote à candidatura de Dilma por considerar que o

PT é a favor da interrupção da gravidez.Lula precisou

intervir para que o fato não gerasse uma crise na

campanha.Para o professor Márcio de Paula, a carta

divulgada pelo PT veio para reforçar a postura menos

radical do partido ao tratar de assuntos polêmicos.

"Ela tem o mesmo efeito da “Carta aos Brasileiros”,

assinada por Lula em 2002. Enquanto o presidente

queria acalmar os mercados naquela época, Dilma quis

acalmar os religiosos desta vez".Já o tucano José Serra

costuma se guiar pela razão e, apesar de ter uma queda

por astrologia - Oscar Quiroga é seu astrólogo preferido

 -, o candidato do PSDB à Presidência não costuma falar

muito sobre suas crenças religiosas. Em debate realizado

em agosto pela TV Canção Nova, emissora católica,

Serra afirmou que achava bom que o "presidente da

República acredite em Deus".Para Rodolfo Teixeira,

discutir a religião durante as eleições não é a melhor

maneira de esclarecer o eleitor - ou ajudá-lo a escolher

seus candidatos. "Não acredito que essa seja uma

polarização interessante,mas as pessoas não discutem

mais o modelo político e social do país e acabam

colocando outros assuntos em pauta". O professor da

UnB concorda e diz que os candidatos não precisam se

posicionar quanto às suas crenças, já que "ninguém está

elegendo pessoas para administrar sua paróquia. É

preciso saber se o candidato tem ou não compromisso

público".Márcio Gimenes de Paula, professor do

departamento de Filosofia da Religião da UnB:

"Ninguém está elegendo pessoas para administrar sua

paróquia. É preciso saber se o candidato tem ou não

compromisso público"

 







 

 

 

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